A avaliação formativa é a avaliação que se realiza ao longo do curso e, a própria palavra já diz, tem o objetivo de formar o aluno, tem o objetivo de auxiliar o aluno ao longo do desenvolvimento do curso.
Nesse sentido, é muito importante a devolutiva ou feedback que é proporcionada ao aluno de cada uma das atividades realizadas: comentários a respeito do nível de aprofundamento, o que está faltando, possíveis desvios na abordagem, inexatidão dos conceitos.
A avaliação formativa é uma importante ferramenta de estímulo para o estudo, uma vez que sua principal utilidade é apontar os erros e acertos dos alunos e dos professores no processo de ensino-aprendizagem. Esse tipo de avaliação é basicamente um orientador dos estudos e esforços dos professores e alunos no decorrer desse processo, pois está muito ligada ao mecanismo de retro-alimentação (feedback) que permite identificar deficiências e reformular seus trabalhos, visando aperfeiçoá-los em um ciclo contínuo e ascendente (SANTOS, 2006).
Portanto, a avaliação formativa supõe um acompanhamento individualizado, pois cada aluno tem características diferentes, ritmos diversos, necessidades específicas, desvios da aprendizagem singulares. Isto é, não podem ser dadas as mesmas receitas para todos, como muito bem destaca Perrenoud (1999):
“Nenhum médico se preocupa em classificar seus pacientes, do menos doente ao mais gravemente atingido. Nem mesmo pensa em lhes administrar um tratamento coletivo. Esforça-se para determinar, para cada um deles, um diagnóstico individualizado, estabelecendo uma ação terapêutica sob medida”.
Mas, para que a avaliação formativa tenha esse valor de orientação, de motivação e aperfeiçoamento dos alunos, é necessário que tanto professores como alunos abordem as avaliações ou atividades como ferramentas de aprendizagem, de aprofundamento, de pesquisa. O aluno tem que evitar enfrentar a avaliação como uma mera obrigação e os professores têm que ser flexíveis, evitando entender a correção como um ato autoritário e de mera atribuição de uma nota.
A postura autoritária na avaliação é mais frequente quando o docente tem o conceito de Educação como mera transmissão de informações. Nesse caso, não é apenas a avaliação que é autoritária, mas todo o processo. Exigindo, via de regra, que os alunos reproduzam os conteúdos que foram transmitidos e do jeitinho que foram transmitidos.
Este tipo de educação costuma ter como resultado uma aprendizagem meramente mecânica, não significativa, com o qual, o que resta com o passar do tempo, é muito pouco: após a realização da avaliação, vem o esquecimento.
Segundo Aretio (2006), a avaliação formativa ou processual, “pretende que o aluno corrija defeitos e confusões, supere dificuldades e adquira habilidades [...] interessa conhecer o que é que o estudante não sabe e deveria saber, o que não domina suficientemente e deveria dominar”. Para Albrecht (1994, apud SANTOS et al., 2009), um dos grandes objetivos da avaliação é lutar contra a passividade do aluno.
Perrenoud (2002), inclusive, propõe que a avaliação formativa deveria se chamar de “observação formativa ou, simplesmente, de regulação dos processos de aprendizagem”, pois a avaliação formativa tem como única função “ajudar o aluno a aprender e a progredir rumo aos objetivos propostos”. O fato de chamar de “avaliação” já faz com que isso seja relacionado a provas, classificação, exames, seleção, etc. Mudando o nome ou não, o importante é colocar o foco não na classificação, mas na formação, no crescimento do aprendiz.
Quanto ao conteúdo dessas atividades, devem ser condizentes com os objetivos da disciplina ou curso. As atividades devem ajudar o aluno a, aos poucos, ir atingindo os objetivos de aprendizagem pretendidos. Nesse sentido, as atividades devem ter formulação clara, solicitando do aluno tarefas que suponham, leitura, pesquisa, reflexão do conteúdo, associação de ideias, etc., devendo-se evitar questões simples demais que não levem ao aprofundamento e reflexão dos conteúdos abordados.
Falando de avaliação, não necessariamente falamos de nota. Isto é, nem todos os momentos de avaliação têm que ser necessariamente traduzidos em notas, pode haver atividades livres, exercícios, que também ajudam o aluno no processo.