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| Curso: | TUTORIA PARA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA - Turma 2024 |
| Livro: | Leitura: O que é Competência? |
| Impresso por: | Usuário visitante |
| Data: | sábado, 24 out. 2026, 03:34 |
Para discutir o conceito de competência, assumimos o pressuposto teórico de que o seu significado não é essencial. Ele é produzido de diferentes modos nos contextos em que é mobilizado. As citações abaixo são exemplos que mostram a polissemia do termo.
Entendemos por competências os esquemas mentais, ou seja, as ações e operações mentais [...] que, mobilizadas e associadas a saberes teóricos ou experienciais, geram habilidades ou um saber fazer1.
Competências são capacidades que se apóiam em conhecimentos2.
Uma competência é um “saber fazer”, com “saber” e com “consciência”3.
Capacidade de agir eficazmente em um determinado tipo de situação, apoiada em conhecimentos, mas sem limitar-se a eles4.
Uma pessoa é competente quando é capaz de saber, saber-fazer e saber-ser5.
No modelo de competências importa não só a posse dos saberes disciplinares escolares ou técnico-profissionais, mas a capacidade de mobilizá-los para resolver problemas e enfrentar os imprevistos na situação de trabalho6.
Nesses excertos, a noção de competência é associada, pelos diferentes autores, entre outras questões, aos esquemas de operações mentais, à capacidade, ao fazer com saber, ao conhecer as conseqüências, à resolução de problemas, à mobilização, aplicação e contextualização dos conhecimentos e à formação profissional.
É possível construir outros entendimentos quanto à noção de competência, relacionando-a com a capacidade de articular, mobilizar e aplicar um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes em um contexto específico. Mobilização e aplicação são conceitos imbricados. Ambos extrapolam as ações físicas, referindo-se também a ações de pensamento. A aplicação é a expressão da mobilização num dado contexto. A partir desse conceito, aponta-se a importância dada a essas três dimensões, que devem necessariamente articular-se para formar um profissional competente.
A competência não pode ser transmitida. Ela deve ser construída de forma ativa. Os modelos formativos propostos serão apenas uma referência para o desenvolvimento das competências dos alunos, tendo em vista que, em última instância, cada sujeito imprimirá sua marca pessoal ao seu processo de aprendizagem. Entre os muitos profissionais que venham a ser formados a partir de uma dada concepção curricular, haverá semelhanças, mas cada um terá a sua singularidade.
Uma competência pode estar desenvolvida em diferentes níveis de complexidade e nunca é um produto final, acabado, mas um processo em permanente desenvolvimento.
As competências e as habilidades são inseparáveis da ação, mas exigem domínio de conhecimentos. As competências pressupõem operações mentais, capacidades para usar as habilidades, emprego de atitudes, adequadas à realização de tarefas e conhecimentos. Competências se constituem num conjunto de conhecimentos, atitudes, capacidades e aptidões que habilitam alguém para vários desempenhos da vida. Habilidades se ligam a atributos relacionados não apenas ao saber-conhecer, mas ao saber-fazer, saber-conviver e ao saber-ser.
A competência é então constituída por várias habilidades. Pode, ainda, ser definida como saber fazer bem o que é necessário e desejável no âmbito profissional e se revela na articulação das dimensões técnica e política perpassadas pela ética. Contudo, uma habilidade não "pertence" a determinada competência, pois uma mesma habilidade pode contribuir para diferentes competências.
1 BERGER FILHO, Ruy. Educação profissional no Brasil: novos rumos. Revista Ibero-americana de Educação, N. 20, maio/ago. 1999. Disponível em: https://rieoei.org/historico/documentos/rie20a03.htm
2 RIOS, Terezinha. Compreender e ensinar: por uma docência de melhor qualidade. São Paulo: Cortez, 2003. p. 78
3 AGUERRONDO, Inês. El nuevo paradigma de la educación para el siglo. Disponível em: https://www.oei.es/historico/administracion/aguerrondo.htm
4 PERRENOUD, Philippe. Construir as competências desde a escola. Porto Alegre: Artmed, 1999
5 DELORS, Jacques (org.). Educação: um tesouro a descobrir - relatório para a Unesco, da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI. São Paulo: Cortez, 1998.
6 DELUIZ, Neise. O modelo das competências profissionais no mundo do trabalho e na educação: implicações para o currículo. Informativo SENAC BTS 273.
Extraído do texto O CONCEITO DE COMPETÊNCIA E SEUS DESDOBRAMENTOS DIDÁTICO-PEDAGÓGICOS NA UNISINOS. Disponível em: http://unisinos.br/blogs/formacao-docente/files/2013/01/Ensino-por-competencias-na-Unisinos.pdf
Você se lembra qual foi o texto com o qual aprendeu a ler? Qual era, digamos, o "conteúdo" desse texto? Muitos talvez se lembrem de frases com tanto significado como, por exemplo, "vovó viu a uva". Não sei se alguém se preocupou com detalhes tais como: que tipo de uva vovó viu? Ela também comeu a uva depois de vê-la?. Ou talvez a vovó já nem fosse viva! O que era objetivo de ensino, no caso, evidentemente não era nem a vovó nem a uva, mas a letra V. Com essa ou com diferentes frases, todos nós aprendemos a reconhecer e a utilizar essa letra quando desejávamos o som correspondente. O mesmo foi feito com todas as letras. Hoje há diferentes métodos de alfabetização, uns melhores e outros piores, mas se você está lendo esse texto significa que de algum modo aprendeu...
Eis outro aspecto interessante: uma vez que se saiba ler, isso significa que se pode ler todo e qualquer texto; a habilidade não está vinculada a um assunto concreto. Eu posso ler em voz alta um texto que verse sobre física quântica mesmo que compreenda muito pouco do que estou lendo. Um físico, ao ouvir-me, compreenderá. As coisas acontecem assim porque ler e compreender são habilidades diferentes.
Ao direcionar o foco do processo de ensino e aprendizagem para o desenvolvimento de habilidades e competências, devemos ressaltar que essas necessitam ser vistas, em si, como objetivos de ensino. Ou seja, é preciso que a escola inclua entre as suas responsabilidades a de ensinar a comparar, classificar, analisar, discutir, descrever, opinar, julgar, fazer generalizações, analogias, diagnósticos... Independentemente do que se esteja comparando, classificando ou assim por diante. Caso contrário, o foco tenderá a permanecer no conteúdo e as competências e habilidades serão vistas de modo minimalista.
O exemplo é verídico. Uma professora me perguntou: "O que é isso de habilidades que estão falando na minha escola?". Depois de explicar um pouco, ela me respondeu: "Ah, são aqueles verbinhos que a gente coloca nas reuniões de início do ano na frente dos objetivos de ensino? Já aprendi a fazer isso faz tempo!". Acho que não me engano ao imaginar que aquelas listas de objetivos cheias de "verbinhos" costumam ficar na gaveta da professora ou da diretora no restante do ano, enquanto se ministra "o conteúdo".
Romper esse tipo de hábito não é simples. Daí a importância, a meu ver, de se considerar as habilidades e competências como objetivos em si, tal como se faz com a leitura e a escrita. Logicamente, isso não significa desvincular as habilidades de algum conteúdo. Pelo contrário, os conteúdos das diferentes disciplinas devem ser o principal instrumento para o desenvolvimento dessas habilidades. O que se necessita é mudar o enfoque, a abordagem que se faz de muitos assuntos, além da postura do professor, que em geral considera o conteúdo como de sua responsabilidade, mas a habilidade como de responsabilidade do aluno.
Vejamos esse último ponto: um professor coloca nos objetivos de ensino que o aluno, após determinada aula, deve saber "comparar uma célula animal com uma célula vegetal". Que faz o professor nessa aula? Explica (descreve?) como é uma célula animal e como é uma célula vegetal. Talvez faça uma tabelinha em que coloca, lado a lado, como é uma e como é a outra. Talvez estabeleça comparações. Entretanto, não considera de sua responsabilidade ensinar a comparar, não se preocupa com o desenvolvimento dessa habilidade no aluno. Está centrado no conteúdo "célula vegetal e animal", saber comparar é algo que o aluno deve "trazer pronto" e se ele não souber o problema não é do professor de Ciências... Só que também não é de nenhum outro...
Mudar o foco para o desenvolvimento de competências e habilidades implica, além da mudança de postura da escola, um trabalho pedagógico integrado em que se definam as responsabilidades de cada professor nessa tarefa. Um grande obstáculo, aqui, é que nós mesmos, professores, podemos ter dúvidas sobre em que consiste, realmente, uma determinada habilidade, e mais ainda sobre como auxiliar o seu desenvolvimento. Afinal, possivelmente isso nunca foi feito conosco... Mas as dificuldades não nos devem desalentar. Pelo contrário, representam o desafio de contribuir para uma mudança significativa na prática didática da escola.
Naturalmente, essa mudança de foco atinge também a questão - sempre complexa - da avaliação. Se uma habilidade é vista como objetivo de ensino, a sua aquisição deve ser avaliada. Em tese, essa avaliação pode estar vinculada ao conteúdo de qualquer disciplina. Por exemplo, se o professor de ciências trabalhou com os alunos a comparação entre célula animal e vegetal, o de português entre orações coordenadas e subordinadas e o de geografia entre meio rural e urbano, nada impede que a habilidade de comparar seja avaliada na disciplina de história, por exemplo, comparando características do Brasil-colônia com o Brasil-império. Pelo contrário, este é um modo bastante interessante de se avaliar a aquisição da habilidade, evitando que o aluno apenas reproduza uma situação que foi memorizada.
Extraído do texto COMPETÊNCIAS E HABILIDADES: VOCÊ SABE LIDAR COM ISSO? Disponível em: http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/educacao/0023d.html

O conceito de competência não é algo simples e calcado apenas em um ponto. De acordo com muitos teóricos, a competência é a junção de três elementos, o conhecimento, a habilidade e a atitude, a letra inicial de cada um desses pontos forma o CHA da competência, conheça cada um mais detalhadamente:
É basicamente o saber, dominar um determinado tema ou área. A busca pelo conhecimento é uma jornada não tão prática, que exige tempo e sacrifício. Você pode estudar ou encontrar pessoas que compartilhem novos conhecimentos e que cooperem na busca pelos seus objetivos. Mas precisa entender que o mero conhecimento por si só não consiste naquilo que você precisa.
É saber fazer na prática, transformar todo o conhecimento que possui na teoria estudada em ações reais e que tragam valor ao seu objetivo. Consiste em você saber fazer alguma coisa. Elas são adquiridas por meio de um esforço para realizar atividades ou funções envolvendo ideias (habilidades cognitivas), coisas (habilidades técnicas) ou pessoas (habilidades interpessoais).
É o saber ser. É a iniciativa, fazer algo bem feito e muitas vezes antes mesmo de ser solicitado, entender a demanda e ter proatividade para fazer acontecer, se antecipar às necessidades. É o comportamento que temos diante de situações do nosso cotidiano e das tarefas que desenvolvemos no nosso dia-a-dia, que nos leva a decidir se iremos ou não exercitar nossa habilidade de um determinado conhecimento.
As exigências impostas pelo escotismo na atualidade pressionam o sistema de formação de adultos da UEB a buscar novas soluções formativas, fundamentadas em metodologias educacionais que possam atender à necessidade de capacitar esses adultos a viverem e atuarem numa realidade onde o “saber fazer”, torna-se mais importante do que a detenção de informações e conhecimento.
Dentre essas, desponta a abordagem por competências, defendida por vários estudiosos, com destaque para a obra de Philippe Perrenoud, sueco, doutor em Sociologia e Antropologia, cujo trabalho descrito em sua obra “As 10 novas competências para ensinar”, enfatiza as competências essenciais para o exercício da profissão de professor. Para alguns formadores, a abordagem por competências, por enfatizar um elenco de desempenhos e vivências com sentido muito mais próximo do “saber fazer”, que se identifica com o “aprender fazendo”, um dos pontos do método escoteiro, desperta particular interesse.
Com a aprendizagem acontecendo em torno da importância em se resolver situações-problemas que envolvam distintos graus de complexidade, mobilização de conhecimentos, habilidades e atitudes na resolução de problemas, as competências nos mostram claramente que não se deve apenas aprender nós e amarras, mas deve-se sobretudo, além de aprender, mobilizar esse conhecimento em uma aplicação prática, como construir pioneirias bem feitas.
