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| Curso: | TUTORIA PARA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA - Turma 2024 |
| Livro: | Leitura: Competências da Tutoria |
| Impresso por: | Usuário visitante |
| Data: | sábado, 24 out. 2026, 03:40 |
Quando perguntamos a educadores do EAD experientes "Quais são as competências essenciais para uma tutoria eficaz no EAD?", eles identificaram quatro categorias gerais:
Iremos ver o que envolve cada um dos grupos de competências e como os tutores as utilizam. Não se preocupe se lhe parecer que grupos diferentes se sobrepõem ou que, no seu contexto, classificaria alguns deles de outra maneira. A forma como os agrupamos destina-se a dar um contexto em que possamos analisar as competências,. O que é importante é pensar nas implicações destas competências na prática, não enquadrá-las numa categoria que não seja natural.
"Estudantes e tutores irão encontrar afinidades ao nível humano resultantes do diálogo... Sob as estruturas dos cursos, dos trabalhos e dos horários... existe uma variedade de potenciais relacionamentos humanos que irão afirmar-se, quaisquer que sejam as estruturas de gestão que os abranjam em termos humanos e racionais" (Tait, 1996).

Referência:
http://www.abed.org.br/col/tutoriaead.pdf (aqui você pode consultar o texto na íntegra)
Este grupo de competências essenciais é apresentado primeiro, porque:
Um aluno descreveu da seguinte forma a importância do apoio do tutor:
"Quero partilhar convosco a minha profunda apreciação do trabalho do meu tutor. O seu apoio contínuo no processo da minha aprendizagem e o seu feedback regular sobre o meu trabalho ajudaram-me muito a concluir o curso. Apreciei em particular o esforço que ele desenvolveu para tornar o processo da aprendizagem relaxante, e até mesmo divertido. Penso que a forma apoiante, pessoal, e por vezes humorada como ele comunica com os estudantes deveria ser usada como fórmula para todos os cursos à distância que inicialmente possam parecer frios e despersonalizados". (Aluno do Writing Effectively for UNHCR).
Na EAD, "apoio ao aluno" é usado de maneiras diferentes, o que se pode tornar confuso. Muitas vezes é usado como um termo muito genérico que se refere a todas as atividades levadas a cabo por uma instituição para recrutar, inscrever, orientar, lecionar, aconselhar e comunicar com os alunos. Thorpe (2002) define o apoio aos alunos como:
"todos os elementos capazes de responder a um aluno ou grupo de alunos conhecidos, antes, durante e depois do processo de aprendizagem".
Contudo, quando falamos do papel do tutor no apoio aos alunos, referimo-nos a um conjunto de responsabilidades e competências muito mais específico. Estas requerem um contato personalizado com os alunos individualmente, para os ajudar a manter o seu empenho no processo de aprendizagem e a resolverem questões nas suas vidas que possam impedir a aprendizagem.
Através de um contato regular e feedback, os tutores mantêm uma constante presença de fundo demonstrando que estão atentos aos seus alunos, mesmo que o aluno não os tenha contatado, ou mesmo em situações em que o aluno esteja empenhado nos seus estudos e tarefas.
Para um tutor, as competências de apoio incluem:
Uma boa comunicação é importante no apoio aos alunos no EAD. Inclui:
Isto tem de ser acompanhado da capacidade de identificar potenciais barreiras à comunicação, e de ver as questões sob a perspectiva dos alunos.
"A interação, especificamente a interação interpessoal, é central em todas as principais teorias sobre o apoio ao aluno, porque é a única maneira de responder às necessidades dos alunos nos termos em que esses alunos desejam exprimir-se" (Thorpe, 2002).
As competências de escuta são importantes, quer se esteja a ouvir a voz de um aluno ou ler a mensagem de um aluno numa comunicação por escrito. O tutor deve interpretar ambas as mensagens explícitas e implícitas.
Por exemplo, um aluno que diz, "Não sei se estou usando esta fórmula corretamente', poderá estar explicitamente pedindo uma explicação para a fórmula e implicitamente pedindo que lhe confirmem que está dentro das suas capacidades. Você pode confirmar que compreendeu a mensagem do aluno corretamente, interpretando-a, clarificando-a e exprimindo-a novamente.
É necessário lidar com as questões dos alunos de uma forma construtiva. O contato deve ser regular e apoiante, de forma a que os alunos se sintam capazes de colocar questões que de outra forma poderiam pensar não ser "suficientemente importantes" para serem colocadas ao tutor.
"Essencialmente, qualquer contato com os tutores parecia criar confiança e motivação, e funcionava regularmente como que uma espécie de verificação de rotina, em que eles podiam ficar tranquilos de que estão seguindo na direção certa" (Rickwood and Goodwin, 1997).
Os professores de alunos adultos por vezes perguntam, "Para que preciso de motivar alunos que escolheram estudar?". Promover a motivação é uma competência importante na tutoria, porque os alunos da EAD enfrentam muitos desafios e poderão precisar de um incentivo extra para enfrentarem esses desafios.
A motivação, juntamente com as competências de comunicação e de resolução de problemas, podem incentivar os alunos a desenvolverem estratégias para enfrentarem dificuldades que afetem a sua aprendizagem. Além de motivar os alunos a resolverem problemas específicos, um bom tutor inclui mensagens de incentivo na sua comunicação com os alunos.
As competências de identificação e resolução de problemas são essenciais. Incluem a capacidade de:
Os problemas que os tutores normalmente encontram incluem:
É provável que o tutor seja a primeira pessoa que o aluno contacta sobre um problema, ou a primeira pessoa a reconhecer que um problema existe. Você não precisa resolver todos os problemas, mas deve ajudar os alunos a obterem a ajuda de que necessitam. O seu papel irá depender dos recursos disponíveis no seu contexto.
Alguns problemas poderão estar fora da sua área de conhecimentos, ou das suas competências como tutor e um dos aspectos na resolução de problemas é você decidir o que não deve fazer. Poderá ser tentador dar atenção a um aluno que esteja nitidamente angustiado mas, se o aluno estiver a enfrentar problemas pessoais, você poderá rapidamente ultrapassar as suas competências. O aconselhamento é uma função especializada e os alunos devem ser encaminhados para os recursos apropriados, se possível. A máxima de um tutor experiente é "Quando o nosso sexto sentido nos diz que não devemos procurar resolver uma situação, provavelmente não o devemos fazer".
Usar o conhecimento do conteúdo para dar orientaçãoIsto envolve ajudar os alunos a encontrarem o seu sentido de orientação no conteúdo:
Este será provavelmente o aspecto mais visível e que exige mais tempo na função do tutor. O tutor precisa de ser proficiente em:
Para dar um bom feedback aos alunos é necessária uma boa proficiência na orientação e capacitação.
Como tutor, você poderá estar tão familiarizado com as convenções do curso, que elas são de importância secundária para si, mas os alunos poderão não as conhecer. O seu papel como tutor poderá envolver familiarizar os alunos com:
Muitos alunos querem estabelecer ligações, compreender a relação entre segmentos de aprendizagem. Os alunos interessam-se sobretudo pelas implicações e aplicações daquilo que aprenderam. Os tutores podem ajudar os alunos a estabelecerem a ligação entre o conteúdo do curso e as habilidades a serem desenvolvidas, e a compreenderem as potenciais aplicações nas habilidades na sua área de interesses. Para o efeito, os tutores precisam de:
O tutor precisa de saber identificar problemas acadêmicos que tragam dificuldades aos alunos, tais como:
Para resolver problemas acadêmicos individuais, o tutor pode ajudar os alunos a:
A capacitação da aprendizagem envolve ajudar os alunos a desenvolverem competências de aprendizagem (gerais ou específicas da disciplina) e a aplicarem essas competências adequadamente como indivíduos ou em grupos.
As competências de aprendizagem envolve:
Depois que um aluno se inscrever em um curso, o tutor poderá ser o seu principal contato. Os tutores necessitam de competências administrativas para gerirem o relacionamento entre os alunos e formadores e são responsáveis perante ambos. Como diz um tutor, mesmo quando os tutores não podem resolver todos os problemas administrativos, eles podem incentivar os alunos a procurarem resolvê-los.
"Quando os alunos estão descontentes, por qualquer razão, com o serviço prestado pelo Centro, eles acham que o tutor deve intervir para resolver o problema. Em muitos casos, o problema ultrapassa o controlo da administração no centro local. O meu papel é então pacificar os estudantes e incentivá-los a concentrarem-se em questões que lhes estão mais próximas... cumprindo a parte deles do contrato de concluírem o curso com êxito" (Claudia Drakes, UWI).
Os tutores usam as suas competências administrativas para:

Mauri Collins e Zane Berge (1996, apud Palloff; Pratt, 2002) classificaram as várias tarefas e papéis exigidos do professor online em quatro áreas: pedagógica, gerencial, técnica e social.
Gutiérrez e Prieto (1994) nomearam de “assessor pedagógico” o professor de EAD. Para ele, sua função é a de fazer a ligação entre a instituição e o aluno, acompanhando o processo para enriquecê-lo com seus conhecimentos e experiências. Segundo Gutiérrez e Prieto, suas características são: ser capaz de uma boa comunicação; possuir uma clara concepção de aprendizagem; dominar bem o conteúdo; facilitar a construção de conhecimentos, através da reflexão, intercâmbio de experiências e informações; estabelecer relações empáticas com o aluno; buscar as filosofias como uma base para seu ato de educar; e constituir uma forte instância de personalização. Dentre as tarefas prioritárias do “assessor pedagógico”, destacam-se a de estabelecer redes, promover reuniões grupais e a de avaliar.
Para Arnaldo Niskier (1999), o educador a distância reúne as qualidades de um planejador, pedagogo, comunicador, e técnico de Informática. Participa na produção dos materiais, seleciona os meios mais adequados para sua multiplicação, e mantém uma avaliação permanente a fim de aperfeiçoar o próprio sistema. Nesta modalidade de ensino, o educador tenta prever as possíveis dificuldades, buscando se antecipar aos alunos na sua solução. O professor de EaD deve ser valorizado, pois sua responsabilidade, além de ser maior por atingir um número infinitamente mais elevado de alunos, torna-o mais vulnerável a críticas e a contestações em face dos materiais e atividades que elabora. Conforme Niskier (1999:393), o papel do tutor é:
De acordo com Iranita Sá (1998), o tutor em EaD exerce duas funções importantes - a informativa, provocada pelo esclarecimento das dúvidas levantadas pelos alunos, e a orientadora, que se expressa ajudando nas dificuldades e na promoção do estudo e aprendizagem autônoma.“No ensino a distância o trabalho do tutor fica de certo modo diminuído considerando-se o clima de aprendizagem autônoma pelos alunos” (Sá, 1998:45), pois muito da orientação necessária já se encontra no próprio material didático, sob a forma de questionário, recomendação de atividades ou de leituras complementares. Constata-se que a função do tutor deve ir além da orientação. O tutor esclarece dúvidas de seus alunos, acompanha-lhes a aprendizagem, corrige trabalhos e disponibiliza as informações necessárias, terminando por avaliar-lhes o desempenho.
Conforme Litwin (2001), os programas de educação a distância privilegiam o desenvolvimento de materiais para o ensino em detrimento da orientação aos alunos, das tutorias, das propostas de avaliação ou da criação de comunidades de aprendizagem. Os materiais de ensino se convertem em portadores da proposta pedagógica da instituição.
Todas as atividades, tarefas e exercícios propostos devem ser cuidadosamente corrigidos o mais rápido possível, para que o tutor tenha a chance de interferir na aprendizagem e fazer o acompanhamento necessário. O tutor, ao avaliar o ensino-aprendizagem, coteja o grau de satisfação do aluno com o curso mediante métodos estatísticos, fichas de avaliação e de observação.
A tutoria é o método mais utilizado para efetivar a interação pedagógica, e é de grande importância na avaliação do sistema de ensino a distância. Os tutores comunicam-se com seus alunos por meio de encontros programados durante o planejamento do curso. O contato com o aluno começa pelo conhecimento da estrutura do curso, e é preciso ser realizado com frequência, de forma rápida e eficaz. A eficiência de suas orientações pode resolver o problema de evasão no decorrer do processo.
A tutoria é necessária, portanto, para orientar, dirigir e supervisionar o ensino-aprendizagem. Ao estabelecer o contato com o aluno, o tutor complementa sua tarefa docente transmitida através do material didático, dos grupos de discussão, listas, correio-eletrônico, chats e de outros mecanismos de comunicação. Assim, torna-se possível traçar um perfil completo do aluno: por via do trabalho que ele desenvolve, do seu interesse pelo curso e da aplicação do conhecimento pós-curso. O apoio tutorial realiza, portanto, a intercomunicação dos elementos (professor-tutor-aluno) que intervêm no sistema e os reúne em uma função tríplice: orientação, docência e avaliação.
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