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Leitura: Avaliação da Aprendizagem em EAD

Site: Escoteiros do Brasil - Campo Escola Virtual
Curso: TUTORIA PARA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA - Turma 2024
Livro: Leitura: Avaliação da Aprendizagem em EAD
Impresso por: Usuário visitante
Data: sábado, 24 out. 2026, 03:34

1. Avaliação Diagnóstica

A avaliação diagnóstica trata-se de uma avaliação realizada antes mesmo do início do curso. O objetivo deste tipo de avaliação é conhecer, fazer um levantamento de quais os conhecimentos prévios que o aluno já tem a respeito dos assuntos que serão abordados ao longo dos estudos. Quando falamos de conhecimentos prévios, é lógico que não estamos entendendo conhecimentos bem elaborados, aceitos pela comunidade científica, mas, o aluno já traz alguma ideia, algum conceito formado, alguns pré-conceitos e, em alguns casos - por que não - conhecimentos adquiridos em outros cursos ou por outros meios que seriam aceitos na academia.

Toda essa bagagem do aluno é interessante ser conhecida pelo professor ou tutor que vai acompanhar os alunos. A partir desses conhecimentos, o professor pode ir trabalhando os conteúdos levando em conta os possíveis desvios percebidos nessa fase, ou fazendo as ênfases em aspectos que não foram suficientemente valorizadas ou destacadas pelos alunos, etc.

E você pode se perguntar qual a utilidade deste tipo de avaliação na EAD, sendo que o material didático utilizado no curso já está previamente elaborado antes mesmo do curso começar. Isso é verdade, mas temos que lembrar que o fato do material já estar pronto, não quer dizer que ao longo do processo, não possa se fazer nenhuma interferência. Sempre será possível inserir no ambiente virtual de aprendizagem um link, gravar um vídeo, fazer uma webconferência, discutir certos assuntos considerados pertinentes nos fóruns dos cursos ou disciplinas, etc. Isto é, planejar não quer dizer que não haja flexibilidade. Precisamos deixar espaço para as novidades. Cada turma tem seu perfil diferenciado e é bom que o professor esteja atento a essas especificidades.

Outra prática interessante é repetir as mesmas questões da avaliação diagnóstica (normalmente chamada de pré-teste) na finalização do curso para verificar o crescimento que o aprendiz experimentou após a realização do curso (pós-teste).

2. Avaliação Formativa

A avaliação formativa é a avaliação que se realiza ao longo do curso e, a própria palavra já diz, tem o objetivo de formar o aluno, tem o objetivo de auxiliar o aluno ao longo do desenvolvimento do curso.

Nesse sentido, é muito importante a devolutiva ou feedback que é proporcionada ao aluno de cada uma das atividades realizadas: comentários a respeito do nível de aprofundamento, o que está faltando, possíveis desvios na abordagem, inexatidão dos conceitos.

A avaliação formativa é uma importante ferramenta de estímulo para o estudo, uma vez que sua principal utilidade é apontar os erros e acertos dos alunos e dos professores no processo de ensino-aprendizagem. Esse tipo de avaliação é basicamente um orientador dos estudos e esforços dos professores e alunos no decorrer desse processo, pois está muito ligada ao mecanismo de retro-alimentação (feedback) que permite identificar deficiências e reformular seus trabalhos, visando aperfeiçoá-los em um ciclo contínuo e ascendente (SANTOS, 2006).

Portanto, a avaliação formativa supõe um acompanhamento individualizado, pois cada aluno tem características diferentes, ritmos diversos, necessidades específicas, desvios da aprendizagem singulares. Isto é, não podem ser dadas as mesmas receitas para todos, como muito bem destaca Perrenoud (1999):

“Nenhum médico se preocupa em classificar seus pacientes, do menos doente ao mais gravemente atingido. Nem mesmo pensa em lhes administrar um tratamento coletivo. Esforça-se para determinar, para cada um deles, um diagnóstico individualizado, estabelecendo uma ação terapêutica sob medida”.

Mas, para que a avaliação formativa tenha esse valor de orientação, de motivação e aperfeiçoamento dos alunos, é necessário que tanto professores como alunos abordem as avaliações ou atividades como ferramentas de aprendizagem, de aprofundamento, de pesquisa. O aluno tem que evitar enfrentar a avaliação como uma mera obrigação e os professores têm que ser flexíveis, evitando entender a correção como um ato autoritário e de mera atribuição de uma nota.

A postura autoritária na avaliação é mais frequente quando o docente tem o conceito de Educação como mera transmissão de informações. Nesse caso, não é apenas a avaliação que é autoritária, mas todo o processo. Exigindo, via de regra, que os alunos reproduzam os conteúdos que foram transmitidos e do jeitinho que foram transmitidos.

Este tipo de educação costuma ter como resultado uma aprendizagem meramente mecânica, não significativa, com o qual, o que resta com o passar do tempo, é muito pouco: após a realização da avaliação, vem o esquecimento.

Segundo Aretio (2006), a avaliação formativa ou processual, “pretende que o aluno corrija defeitos e confusões, supere dificuldades e adquira habilidades [...] interessa conhecer o que é que o estudante não sabe e deveria saber, o que não domina suficientemente e deveria dominar”. Para Albrecht (1994, apud SANTOS et al., 2009), um dos grandes objetivos da avaliação é lutar contra a passividade do aluno.

Perrenoud (2002), inclusive, propõe que a avaliação formativa deveria se chamar de “observação formativa ou, simplesmente, de regulação dos processos de aprendizagem”, pois a avaliação formativa tem como única função “ajudar o aluno a aprender e a progredir rumo aos objetivos propostos”. O fato de chamar de “avaliação” já faz com que isso seja relacionado a provas, classificação, exames, seleção, etc. Mudando o nome ou não, o importante é colocar o foco não na classificação, mas na formação, no crescimento do aprendiz.

Quanto ao conteúdo dessas atividades, devem ser condizentes com os objetivos da disciplina ou curso. As atividades devem ajudar o aluno a, aos poucos, ir atingindo os objetivos de aprendizagem pretendidos. Nesse sentido, as atividades devem ter formulação clara, solicitando do aluno tarefas que suponham, leitura, pesquisa, reflexão do conteúdo, associação de ideias, etc., devendo-se evitar questões simples demais que não levem ao aprofundamento e reflexão dos conteúdos abordados.

Falando de avaliação, não necessariamente falamos de nota. Isto é, nem todos os momentos de avaliação têm que ser necessariamente traduzidos em notas, pode haver atividades livres, exercícios, que também ajudam o aluno no processo.

3. Avaliação Somativa

A avaliação somativa é uma espécie de balanço final, uma visão de conjunto, “relativamente a tudo sobre o qual, até aí, só haviam sido feitos juízos parciais” (KRAEMER, 2005). É uma avaliação que pretende verificar se o aluno realmente aprendeu ao longo do processo, determinando uma classificação, uma qualificação, que dependerá do nível de aproveitamento atingido.

Essa avaliação pode ser aplicada no final da disciplina ou curso, ou ainda, no final de uma unidade ou bloco temático. Nesta avaliação conclusiva normalmente entrará também o conteúdo utilizado nas avaliações anteriores (diagnóstica e formativa), porém, na hora de dar uma nota ou conceito para o aluno, devemos lembrar que se trata de um processo, isto é, a avaliação é contínua, portanto, não deve ser atendido apenas o resultado desta última avaliação.

A nota final deve ser reflexo do esforço do aluno ao longo de todo o processo de aprendizagem. Assim também teremos mais chances de que o resultado seja o mais justo possível, atendendo aos altos e baixos do percurso.